quinta-feira, 28 de maio de 2009

Fairy Tales

Eu me faço

Tu me fazes

Ele me faz

Nós me fazemos

Vós me fazeis

Eles me fazem

Alguns, Pior.

Outros, melhor.

Os amigos me espelham

Os caras me acordam

Mas os bêbados...

São os que me deixam sonhar.

quarta-feira, 20 de maio de 2009

Como vejo o mundo

A sensação que as vezes tenho é que um dia, ao sermos magoados e perder as esperanças do mundo ser bom como imaginávamos que fosse, esquecemo-nos também das nossas antigas crenças. Daí o tempo vai passando, e a cada dia que passa, sentimo-nos mais e mais incomodados por não vermos sentido algum em nossas buscas.

Tudo vai progredindo segundo as leis sociais: nascer, crescer, amadurecer, reproduzir, morrer.

Alguns nascem sem ser esperados, crescem inevitavelmente. Amadurecem sem querer... A maturidade está intimamente ligada aos tipos de experiências pelas quais passamos. Mas note: em uma enorme maioria de casos, o grau de sofrimento se relaciona ao grau de maturidade, para mais ou para menos na proporção direta ou inversa. O fato é que mudanças ou acontecimentos que vão contra nossa vontade, são fatores que desencadeiam a tão famosa maturidade que nossos pais tanto almejam para nós.

Quando era apenas uma menina, com meus dez e poucos anos, pensava na maturidade como falta de esperanças e adequação às conveniências sociais. Como alguém que tentou ir contra, mas não conseguiu. Como aquele que perdeu as forças para provar suas teorias mais sublimes e puras.

Dizer talvez que, a felicidade permeia nossos momentos estagnados, não seria exagero. Não me lembro, ao menos, de ter tido uma grande mudança de pensamento (logo, comportamento) em momentos de alegria extrema (logo, paz interior).

Não sei quanto a vocês, mas eis que segue uma biografia simplificada dos meus pensamentos: acordei para a vida tendo a certeza de que bastaria ser bom e sincero em nossas atitudes para que houvesse compreensão no próximo. Mais tarde percebi que cada indivíduo tem a sua forma própria de ver o mundo, então continuei com o pensamento de que a sinceridade deveria ser mantida, para dar ao outro o direito de escolha. Mas foi então que percebi que algumas pessoas são egoístas, que lhe querem moldar segunda suas vontades, que insistem em querer que o mundo e as pessoas se adaptem a sua forma de enxergar a realidade. Resolvi, então, traduzir o egoísmo alheio como uma falta da evolução humana. Segui minha meta de vida altruísta, e não tive coragem de levantar a mão àqueles que o fizeram. Entretando, descobri que cada vez mais ia me afastando dos meus idalismos a medida que algo me magoava, que me batiam ao rosto, e a minha não-reação era, na verdade, a forma que eu imaginava ser capaz de fazer alguém parar.

Minha mãe religiosamente me dizia quando eu era criança: quando levantarem a mão contra você, ofereça a outra face. Cresci com esse pensamento, hoje, errôneo, segundo minha opinião formada. Não se deve abaixar para o que você acredita estar certo. Não digo que devemos com isso fechar os olhos e tampar os ouvidos a outras opiniões. A mente deve estar atenta. Mas não precisamos nos sujeitar às humilhações de outrém por um capricho da bíblia.

Isso tudo para dizer que acabei tomando uma postura egoísta. Sim... eu não acordo preocupada com o que as crianças da Etiópia irão comer. Eu acordo, e a primeira pergunta que me faço, todos os dias é: qual a importância que eu tenho nesse mundo? Até que ponto vai a minha ignorância?

Tenho me questionado profundamente sobre questões como o que fazer, como ser para fazer a diferença. Devo começar pelo pequeno? Pelo próximo? Poucos são capazes de gestos tão pequenos que poderiam mudar o mundo. Experimente dar o seu casaco a um mendigo num dia frio, e voltar sem ele para sua casa. Você sentirá frio durante alguns minutos. Caso contrário, ele o sentirá por dias.

Faço parte de 5% da população mundial em inteligência, e parte de menos de 0, 1% da minha cidade que estuda em uma universidade pública atualmente. Alguns dizem que eu cheguei longe, pois terei oportunidade de trabalhar em uma empresa multinacional, viajar o mundo. A maioria acha que é isso que procuro. E acham suficiente. O que mais poderia querer uma pessoa?

Não estou procurando um bom emprego, nem uma boa casa, nem um bom carro. Mas procuro por boas idéias. Procuro por bons amigos que as possam compartilhar.

Não quero considerar as leis naturais da regra social.

Buscarei mais, além do que for conveniente. Não pretendo perder as esperanças de mudar o mundo tão facilmente. E não pretendo entregar os meus sonhos à falta de esperança da maioria.

Mas realmente tenho de admitir que hoje, ao contrário das fantasias de criança em ser presidente, pretendo começar por algo que eu não consegui mudar ainda: Eu.


Delaynne T.G.F.Garcia

Rio das Ostras, 20 de maio de 2009